No dias que correm,vamo-nos encontrando... Talvez menos que antigamente, sem que se saiba como será amanhã...
Os nossos encontros aconteciam quase sempre, em espaços iguais aos de antigamente, em situações quase semelhantes, porque , de permeio, havia um compasso de espera motivado por uma qualquer fila ou "bicha" (como é comum dizer-se cá para estes lados ) ou até por culpa dos sistemas, das burocracias, das máquinas, até do excesso de zelo de quem a atende ou provoca...Mas adiante, antes que me perca do objectivo principal deste desabafo. No entanto, não posso, curiosamente, deixar de agradecer a possibilidade que essas mesmas filas me proporcionam de poder conversar um pouco com este ou aquele, conhecido ou não. Falar de tudo ou de nada, de coisas com ou sem interesse, passadas ou actuais, como no caso desse amigo, de quem omito o nome, para que a história seja mais comum.
Cumprimentámo-nos, brincando sempre com um jogo de palavras, que reciprocamente aceitávamos, como forma de amenizar ambientes mais cinzentos, porque o sol da vida enconde-se muitas vezes entre as núvens das incertezas.Ia a conversa mais animada, merecedora até, de alguns olhares mais curiosos de quem nos rodeava, quando o tema foi, inopinadamente, interrompido pelo toque do seu telemóvel. Atendeu a chamada, desviou a atenção para assuntos mais sérios, e acabei por dar conta que chegara a minha vez de ser atendido na fila em questão, perdendo-se aí toda a possibilidade de reatar o diálogo, pior ainda, sem que nos despedíssemos como é de bom tom em pessoas civilizadas... O certo, e esta será o coisa mais importante de todas, ficou uma conversa a meio, assim se passou mais um dia de diálogo furtivo, inacabado,como, infelizmente,também acontece em muitos lados.
Já nos bastava a televisão em casa para dividir os membros da família quando se busca o progama preferido. Já nos basta a velocidade supersónica (vulgo stress) em que vivemos (?). Já nos sobram os problemas criados desde que o Euro fez parte do nossos dia-a-dia. A conjuntura. A guerra e a fome, as desigualdades sociais, a insegurança de pessoas e bens até dentro das nossas casa, surgindo agora essa invenção que tem tanto de útil como de alienante e que se dá ao" luxo" de ser um luxo na forma como é disputada nos seus mais sofisticados e variados modelos.Um simples (sê-lo-á ?) telemóvel, um pequeno e cada vez mais minúsculo aparelho, impede que as pessoas mantenham vivas a chama duma simples conversa. Mas, paradoxo dos paradoxos, cada vez se conversa menos, apesar de se telefonar cada vez mais (por telemóvel).
Onde está o calor duma conversa, dum diálogo pessoal, nem que seja numa fila de espera ? Onde pára o afecto dum cumprimento físico , onde se encontram as conversas , onde esse mesmo calor humano faz, muitas vezes nascer luz sobre os espíritos e aquieta os ânimos ?
Sinal dos tempos, claro.Mas também sinal de preocupaçao. É que, cada vez mais, CONVERSAR é preciso.
P.S.- Embora tenha telemóvel, mantenho-o guardado numa qualquer gaveta, em casa, desligado, porque ainda não me habituel à ideia. Prefiro falar " pelos cotovelos", olhar para quem falo, viver despreocupado, independente e CADA VEZ MENOS CONTROLADO. .. Porque cada vez estamos mais sós...
terça-feira, 24 de julho de 2007
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