Tenho resistido, quase heròicamente,à tentação de manifestar a repulsa, a estupefacção e, principalmente, triteza pela forma como o "Portugês-Língua portuguesa" é tratado à medida que os anos passam...
Lembro-me, e já lá vão algumas décadas, que a minha grande paixão enquanto adolescente/estudante era atingir o professorado.Sempre gostei de História, de Geografia, de Português.Mas como ninguém se faz por si próprio, e se se quiser, ninguém chega onde quer ,sem muito trabalho e dedicação às causas, para não falar na questão económica, fiquei-me pelo Curso Geral do Comércio.Talvez se tenha perdido uma grande vocação.Os sonhos de estudante ficaram-se por esse curso que, bem vistas as coisas e desde que bem aproveitado se assemelhava a uma pequena enciclopédia.Aprendia-se, garanto, as bases de algumas matérias que, por bastante sólidas permitiam uma visão ampla e culta, proporcionando enorme confiança para encarar , sem receios o mundo do trabalho.Foi esse o estatuto que consegui e com ele fica a enorme, até a eterna gratidão por tido "ao meu serviço" PROFESSORES para cuja definição todos os encómios são poucos.Passadas essas décadas, repito, ainda sei o nome de quase todos, relembro os seu gestos e as formas de ser, guardo ainda os seus conselhos e ensinamentos, porque sempre sábios e paternais.Atrevo-me até, dizendo, que, se sou o que sou, a eles o devo em grande parte. Nesta resistência que mantenho para extravasar os sentimentos que ora manifesto, posso incorrer em erros gramaticais, e que peço, compreemdam ,porque o Português que aprendi já tem mais de 40 anos, mas não deixa de ser a lingua nacinal e que consta dos programas de ensino.Leio alguma coisa (nunca o que deveria -...e quem é que o faz?...)ouço rádio e vejo (felizmente pouca televisão).Porém o que ressalta da OBSERVAÇÃO MAIS OU MENOS ATENTA nestas incursões pelos orgãos de comunicação são as barbaridades, os autênticos assassínios na interpretação do língua de Camões. Afinal ainda um dos poucos monumentos à CADA VEZ MAIS DEPENDENTE INDEPENDÊNCIA NACIONAL. Para não falar do recente entrevista do nobel Saramago...
Numa altura em que comunicar nunca foi tão fácil, verifica-se que ainda há quem ouse fazer-se pelas próprias mãos, coisa que as faltas de vocação não aconselham...
É tempo, porque o tempo urge, não deixar que o próprio tempo se encarregue de apagar aquilo que ainda muitos são capazes de lembrar e de nos ensinar.PEDE-SE MAIS CUIDADO, MAIS RIGOR, MAIS SENTIDO PROFISSIONAL a quem tem a nobre reponsabilidade de tratar as palavras e a escrita, os verbos e as pontuações, as vírgulas e pontos finais, os sujeitos e os predicados...Afinal, a nossa língua é a maior referência da nossa universalidade.É certo que os tempos mudam, as mentalidades mudam, os métodos mudam...Mas se deixarmos que TUDO mude, como poderemos hoje por hoje, saber tratar -INTERPRETANDO PORTUGÛES- a Matemática, as Ciências, a Física e a Química ,afinal a essência de quem ,conscientemente, quer fazer de Portugal um País culto, respeitado, exigente, com voz nos palcos da globalidade ?...
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