sábado, 15 de janeiro de 2011

...Regresso às origens....enésima parte...

Carrego um pesado fardo de nostalgia quando percorro os caminhos velhos da cidade que viu nascer !
Já lá vão quatro décadas desde o dia em que o "desenlace físico" aconteceu...porque o amor não conhece fronteiras, muito menos barreiras.
A distância entre Braga e a cidade que hoje me serve de poiso, é mínima, quase se pode percorrer em "duas passadas", mas é sempre uma distância enorme quando as lembranças nos atravessam a alma...
Estar lá ou pensar que estou lá, NÃO É A MESMA COISA. Po isso, quando chego ao Arco da Porta Nova, tudo em mim são recordações, sensações indiscritíveis, tudo em mim rejuvesnece 40 anos...
Estaria aqui dias e dias a desfiar lembranças dos dias mais "despreocupantes" das minha já longa vida. Eram outros tempos, bem o sei, mas a vida também se alicerça e ganha expressão nesse período quase de "irresponsabilidade responsável" que a juventude do meu tempo conheceu...

Já nestas páginas de "Delírios" falei dum professor, de Português, que me marcou para o resto da vida. Não foi só ele, felizmente. Mesmo aqueles que nunca tiveram da minha parte a correspondência exigida por aquilo que me quiseram ensinar. Hoje, arrependido (afinal é sempre assim), lembro-os com muita saudade e respeito.

E hoje, sábado, foi dia ideal para regressar às origens, porque estive lado a lado com um deles. Aparentemente de boa saúde, com o porte físico que o caracterizava, quase igual à imagem que, por si só impunha respeito, "obrigou-me" a voltar às aulas de "Cálculo Mental"( um dos ramos em que a matemática é fértil). Fui sempre um mau aluno em Ciências , pior ainda em Matemáticas (afinal ainda hoje um busílis para a maioria dos estudantes). E era tão fraco aluno, que este professor que, repito, respeito muito porque me deu oportunidades que não aproveitei, faz-me lembrar um episódio (entreItálico outros) que jamais esquecerei ...
Aquele ano escolar, em Matemáticas, estava perdido. A Primavera estava na sua plenitude. Dias lindos, Sol, algum calor, pássaros a cantar, interrompendo algumas "tentativas de passar pelas brasas", porque o "almoço ?" (nesse dia ), tinha caído na fraqueza dum estômago já habituado a refeições económicas e, os ocupantes do "galinheiro"da sala , como eu, ansiosos que a aula acabasse...
E, o silêncio incomodativo dos também contemplados com esse lugar "destacado " da sala, originou um convite inédito, mas creio que sentido e sincero do nosso mestre :
-Ficaríamos dispensados das aulas, não teríamos falta no livro de ponto, e poderíamos aproveitar essa hora de aulas para dar umas quantas voltas "no passeio dos tristes", ao tempo as Ruas do Souto e dos Capelistas, hoje por hoje símbolos da velha, mas cada vez mais jovem Brácara Augusta.
Claro que, como estudantes "briosos", nunca aceitamos o convite, porque, mesmo fracos alunos, ainda tínhamos o nosso orgulho e queríamos "morrer calçados"...
E, depois, sempre poderíamos aprender outro tipo de lições que, como hoje, gostamos de recordar e não deixaríamos que voltassem a acontecer...
É, como diz o ditado :" Puxámos pelas orelhas, e nem pinta de sangue" !
Mas que eram tempos diferentes, lá isso eram...e, recordá-los também ajuda a viver...

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