terça-feira, 11 de setembro de 2007

...Sinais dos tempos...Parte II

Longe vão os tempos em que, mesmo de madrugada e fruto de uma readaptação à vuida civil, causadora de certo tipo de insónias (ou trama pós-guerra, como queiram), era capaz de me passear, alta madrugada pelas ruas da minha cidade...

Ao tempo, as boas-noites eram dadas ao guarda-nocturno, dos poucos que , àquelas horas, também circulava pelos mesmos locais. Tranquilamente, sem nada temer, vagueava até o sono ou o cansaço começar a dar sinais para nova tentativa de recolha a "vale de lençóis". Anos 60, 70, por aí. Fosse a que horas fosse, pouco importava, já que, tinha a certeza, nada nem ninguém me importunava, excepto e pontualmente, um qualquer crente no "deus Baco" que andasse a cumprir fervorosa promessa...

Todos estes anos passados, nem à casa de banho vamos descansados num intervalo exigido pela necessidade " bexiguenta" de fazer "chi-chi"... Não vá acontecer termos de interromper um qualquer larápio nas suas ilícitas incursões, casa alheia, e na procura de lucros fáceis. É que já nem em nossa casa podemos estar sossegados.

Nos dias que correm, que vontade, que coragem haverá para sair à rua quando a noite dá lugar a mais um dia de trabalho e para quem o viveu honestamente???

Fazer comparações entre aqueles tempos e os de agora, provoca inevitàvelmente, um desfiar de situações que, todos sabemos, têm tendência em se agravar e onde quase ninguém ousa pôr um travão...

Entre os dois períodos, há acontecimentos marcantes e discutíveis, que influenciaram, para o bem e para o mal, toda a nossa sociedade. Os valores que nos norteam, são aqueles que normalmente trazemos do berço embora, depois tenhamos à nossa disposição a possibilidade de nunca os esquecermos, antes, até de os melhorar noutros aspectos mais materiais. Teremos, então, que viver com aquilo que temos ou que conseguimos conquistar dentro dos parâmetros que uma sociedade justa impõe aos seus cidadãos.

Não se pode nem deve "viver honestamente roubando" e impedir, quem quer que seja, de ser livre a qualquer hora do dia ou da noite , na rua, em casa, ou noutro qualquer lugar.

Tudo isto, e não é pouco, não terá a ver com hábitos que se adquirem, com a conjuntura socio-económico dum país que não soube adaptar-se às benesses duma integração que, pelos vistos, só foi boa para os outros e no aproveitamento que dela fizeram ?

Vive-se cima dos limites, a vida fácil tornou-se um hábito, as mentalidades não mudaram (antes pelo contrário), deixou-se fechar " as portas da felicidade" que poderiam (trouxeram para outros) trazer ventos de mudança e só originaram enormes "correntes de insegurança" . Agora, para quando uma solução que garanta, no mínimo, aquilo a que temos direito, sem sobressaltos, em paz, e capaz de nos pôr em pé de igualdade com os que , repete-se, de uma forma inteligente e honesta, fazem parte de sociedades onde os desiquilíbrios não são tão acentuados e onde se vai podendo trabalhar de dia e dormir sossegado até de noite???

1 comentário:

Jorge Rita disse...

Pareces um velho a falar.Claro que nem todos os velhos tem essa adjectivação.Tens razão, a vida mudou, as mentalidades também.Mas os valorres que tinhas não os passaste?Então a vida de hoje é como a de ontem, apenas mudou...e só porque mudou não faças papel de velho do Restelo porque eu sei que tu não es assim.