Gozar férias repartidas é moda que pegou de estaca. Desdobrar o período de descanso que por lei os trabalhadores têm direito, é habito que ganha cada vez raízes mais fortes, situação que dá campo de manobra aos ditos, ao patronato e a quem vende programas para as que possam ser gozadas cá dentro ou, se possível lá fora. Na conjuntura actual, só alguns se poderão dar ao luxo de o fazer como e onde quiserem. Dos outros, há os que recorrem às prestações ("tipo goze agora ,e pague depois, mesmo que os preços sejam o que menos importa) ficando, depois o resto,- os consciensiosos, os realistas, os visionários-, limitados , pràticamente , ao seu habitat natural.
É vê-los, conformados com a triste sina, frequentando os lugares do costume: o café, os cantinhos da má lingua, sentados nos bancos dos jardins públicos, encostados às esquinas, de férias, é verdade, mas dos instrumentos de trabalho e da rotina dos horários rígidos para cumprir.
Dei comigo, então a conversar com alguém sobre tudo e sobre nada, decorrendo duma dessas conversas algumas reflexões que levam sempre à mesma conclusão: Sendo como somos um país de pobres , mantemos muitas manias de ricos. Daí continuarmos, também, sem a propalada qualidade de vida que fomos deixando esvair-se como areia entre as mãos , quando puseram à nossa (?)- à minha não- disposição muitos milhões a fundo perdido
sem que tivessem sido aproveitados convenientemente.
Outos, souberam fazê-lo, "nós", NÃO!!!!!
Sendo assim, férias a sério é sinónimo de utopia, algo só possível no imaginário de cada um com a ajuda da propaganda que nos é "martelada" pelos media permanentemente, enervantemente...
Está dificil a vida. Que novidade!!! A retoma também foi de férias e nãosabemos quando volta... se é que algum dia voltará.
Passeios, lazeres, hoteis de muitas estrelas, resorts, aviões, transfers, isso, só para os ricos ou para os prestacionistas, para os sobre empregados, que também os há. (Alguém tem alguma coisa com isso?, seus invejosos)
É uma vida de cão, esta dos irremediàvelmente conformados e condenados a passarem férias, não cá dentro,
mas fora de quaisquer hipóteses, em lado nenhum. É que o bom senso e a boa educação, mandam que se pague ao merceeiro, ao padeiro, se calcem e vistam os filhos, se lhes dê a possibilidade de se cultivarem numa qualquer universidade, mesmo que o canudo para nada sirva porque não há emprego, embora lhes possa abrir mais a inteligência para distinguirem como a vida está cheia de dificuldades, armadilhas, jogadas rasteiras, jogos de poder...
Os convites ao consumismo são uma indesmentível realidade, cada vez mais palpável, avassaladora.
Claro que, quem puder concretizar esses sonhos, também terá feito muito por isso. Ainda bem. Nada contra...
Continuamos a ser pacientes, com Job, esperamos sempre, esperamos por novas, mas repetidas promessas. Continuamos à espera de novas eleições, à espera de novos e bem intencionados governantes. Só se deseja é que deixem de prometer o que não podem. Não prometam o céu, a quem nem a sua terra consegue conhecer, até nas férias.
Mas, mesmo que as férias que se "gozam" dos habituais horários ou dos instrumentos de trabalho possam ser feitas em segurança, em paz, em tolerância...Coisas estas que serão enormes benesses nesta sociedade, que por culpa de algém ou de alguns, é cada vez mais discriminatória e ainda mais extremada, então, ESTAR DE FÉRIAS JA É BOM !
terça-feira, 7 de agosto de 2007
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1 comentário:
Mas estar de férias em Braga é péssimo... A cidade morre no Verão.
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